Temos um bebé. E agora?

Passados aqueles 9 meses de gravidez, mais as horas do parto (que parecem anos), eis que damos por nós com um ser pequenino no colo. E agora? Só aí, nesse instante em que o calor do nosso filho nos aquece o colo (e o coração) nos cai a ficha, isto está mesmo a acontecer! Somos pais. Mas, e agora? O que é suposto fazer?

Não nascemos pais, não nascemos a saber o que fazer, eu pelo menos não nasci. Por muito que nos falem, nos aconselhem, por muito que possamos ler ninguém está preparado para aquele choque. E não é choque porque não estamos felizes, nada disso. É choque porque é novo, porque é diferente, porque não é fácil e porque estamos cansados. Porque é a primeira vez e porque não sabemos o que fazer… Saímos da maternidade, chegamos a casa. Já não somos dois. Somos três (ou mais, vá). Há ali outro corpo e tu tens de te adaptar a tudo isso.

Se é fácil pensar que estamos a fazer tudo errado? Claro que é. Se é fácil chorar porque não sabemos o que fazer? Porque não sabemos reagir? Sim, muito fácil. Se os primeiros dias/semanas são complicados? São. Por todas as razões e mais algumas. Em alguns casos porque há privação do sono, noutros casos porque o parto foi difícil, noutros casos porque simplesmente estamos cansados e não sabemos ainda distinguir o choro de fome, de fralda suja, de indisposição…Porque não sabemos o que fazer. O que seja. Não é fácil, ponto. Não é fácil, mas é o melhor do Mundo, também.

A minha gravidez foi espectacular, mas foi mesmo. Gostei tanto, mas tanto, de estar grávida! Tive enjôos, tive azia, mas senti-me tão maravilhosa! Sentia-me bonita, feliz, cheia de cor e boa energia…mas tinha um medo do parto! Ai o parto!!! Nunca falava muito nisso, porque eu tinha mesmo medo (disso não falarei agora, falarei depois). Mas tenho de confessar que não foi um parto demasiado longo ou complicado. Foi parto natural, sem epidural e a recuperação foi óptima. Só quero que o próximo seja assim!

Mas a minha primeira semana pós Beatriz foi algo mais complicado! Não estava a conseguir lidar com tudo o que me estava a acontecer. E digo isto com toda a sinceridade. Não estava a conseguir lidar com a amamentação (a Bia adormecia assim que me tocava e deste assunto também falarei mais tarde), com a subida/descida (o que quiserem chamar) do leite, com a perca de peso dela, com o facto de ter de ficar na maternidade mais do que seria esperado, porque ela não queria comer, porque não estava num quarto privado e tudo isso contribuía para que me sentisse menos confortável e menos bem. Mas, e desculpem ser algo tão banal, a verdade é que o calor da minha filha fazia que tudo isso se fosse desvanecendo, fazia com que tudo o resto fosse tendo menos importância. E passado uma semana sentia-me outra. O meu marido, um pilar indispensável da minha vida, foi incansável em fazer-me sentir melhor e a dar-me força. A minha mãe também sempre disponível, mesmo longe, tal como a R, amiga de anos. Toda essa nuvem mais escura que pairava na minha cabeça desapareceu. Comecei a ouvir o meu coração com atenção e houve ali um “click”, tudo mudou. Comecei a ficar mais calma e a perceber tudo com mais clareza.

Foi só uma semana, podiam ser duas, podia ser um mês. Cada uma de nós é diferente. Cada parto é diferente. A recuperação é diferente. Não se queiram espelhar nos outros. Dêem tempo. Respeitem o vosso espaço. Respeitem o vosso tempo. Digam que não, que não querem visitas. Ou digam que sim, que querem estar acompanhadas. Não pensem que o amor pelo vosso filho é menor. Não pensem que são más mães só porque não sabem o que fazer ou como reagir. Ou porque o vosso filho chora muito e o da vizinha só dorme. Não se sintam mal. Não pensem que está tudo mal. Porque não está… e tudo isso vai passar.  Filtrem a informação que vos passam e fiquem no vosso ninho de amor todo o tempo que for preciso. Oiçam quem realmente vos importa, ou não oiçam ninguém.

Mas seja qual for o motivo que vos faça sentir “menos mãe” não tenham medo de pedir ajuda, se sentirem que é esse o caminho. A maternidade não é um mundo cor-de-rosa, mas não tem de ser um mundo negro, pintem um arco-íris!

Foquem-se nas coisas boas. No vosso bebé. Em vocês. Sigam o vosso coração. Sejam felizes! E aproveitem o vosso rebento, porque isto passa mesmo rápido.

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A nossa primeira foto a três, a Bia tinha nascido há minutos.

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